Por Laine Furtado / @lainefurtado_fashionreporter
Muito além do espetáculo, os desfiles internacionais continuam sendo um termômetro do comportamento e da forma como a moda interpreta o momento em que vivemos. Nas últimas temporadas, Paris reafirmou sua posição como capital da criatividade, enquanto marcas como Dolce & Gabbana, Jacquemus e Louis Vuitton transformaram cenários históricos e paisagens deslumbrantes em verdadeiros manifestos de estilo.
A boa notícia é que as principais tendências apresentadas para 2026 não exigem uma renovação completa do guarda-roupa. Pelo contrário. O foco está na longevidade das peças, na qualidade dos materiais e em uma elegância que privilegia a personalidade acima das tendências passageiras.
A volta da sofisticação silenciosa
Depois de anos marcados por logotipos chamativos e excesso de informação, a moda internacional consolida um movimento em direção ao refinamento discreto. Em Paris, maisons como Chanel, Dior, Saint Laurent e Louis Vuitton mostraram coleções em que o corte impecável, os tecidos nobres e a construção das peças falam mais alto do que qualquer assinatura estampada.
A alfaiataria aparece mais leve e confortável, com blazers estruturados usados sobre vestidos fluidos, calças de cintura alta e conjuntos monocromáticos. A mensagem é clara: vestir-se bem significa investir em roupas capazes de permanecer atuais durante muitos anos.
O branco conquista espaço
Uma das cores que mais chamou atenção nas passarelas foi o branco em suas diversas tonalidades, do off-white ao marfim. Vestidos longos, conjuntos em linho, ternos femininos e camisas amplas demonstram que a cor deixou de ser exclusiva do verão ou das festas.
Em países de clima quente, como os Estados Unidos e o Brasil, o branco torna-se ainda mais interessante por transmitir frescor e sofisticação ao mesmo tempo. Combinado a acessórios dourados, bolsas em couro natural e sandálias minimalistas, o resultado é elegante sem esforço.
O romantismo contemporâneo
As flores continuam presentes, mas aparecem reinterpretadas. Bordados tridimensionais, aplicações artesanais, transparências delicadas e tecidos com movimento dominaram diversas coleções de alta-costura em Paris.
Não se trata de um romantismo excessivamente delicado. A proposta mistura feminilidade com atitude, criando um equilíbrio entre vestidos fluidos e peças de alfaiataria, entre rendas e jaquetas estruturadas.
É uma tendência fácil de adaptar ao dia a dia por meio de uma blusa com detalhes florais, uma saia plissada ou um vestido midi de caimento impecável.
Jacquemus e a simplicidade sofisticada
Simon Porte Jacquemus voltou a provar que simplicidade e luxo em odem caminhar juntos. Seu desfile Le Bonheur em Corsica apresentou uma moda extremamente limpa, inspirada nas paisagens do sul da França, com silhuetas leves, vestidos esculturais, camisas amplas, saias longas e uma cartela de cores dominada pelos neutros.
Os acessórios aparecem como protagonistas discretos: bolsas estruturadas, sandálias minimalistas, chapéus de palha sofisticados e joias delicadas completam produções que valorizam a elegância natural.
Jacquemus reforça uma tendência crescente: vestir-se para a vida real, privilegiando conforto, movimento e autenticidade.
Dolce & Gabbana celebra a tradição italiana
Na charmosa Taormina, na Sicília, a Dolce & Gabbana transformou a alta-costura em uma homenagem ao artesanato italiano. Rendas, bordados feitos à mão, aplicações de cristais e referências à arquitetura barroca marcaram uma coleção exuberante, mas profundamente ligada à tradição.
Apesar do glamour característico da marca, algumas mensagens podem ser facilmente incorporadas ao guarda-roupa cotidiano. Vestidos midi bem estruturados, saias lápis, camisas brancas impecáveis e acessórios de qualidade continuam sendo investimentos inteligentes para mulheres de qualquer idade.
Outro destaque foi a valorização do trabalho artesanal, uma tendência que cresce mundialmente e reforça a importância de peças produzidas com tempo, técnica e atenção aos detalhes.
Louis Vuitton aposta na mulher viajante
Nas coleções Resort e Cruise, a Louis Vuitton manteve sua tradição de apresentar desfiles em locais históricos, celebrando o espírito das viagens. As peças unem funcionalidade e sofisticação, com vestidos leves, conjuntos versáteis, bolsas estruturadas e tecidos que favorecem o movimento.
A mulher retratada pela marca é cosmopolita, viaja com frequência e busca roupas capazes de acompanhá-la em diferentes ocasiões sem abrir mão da elegância.
É justamente essa versatilidade que explica o sucesso crescente das coleções Resort, originalmente criadas para clientes que viajavam durante o inverno europeu para destinos ensolarados e, hoje, fundamentais no calendário internacional da moda.
O sucesso das coleções Resort
Cada vez mais importantes para a indústria, as coleções Resort representam um estilo de vida que mistura férias, negócios e lazer. São roupas pensadas para acompanhar mulheres em viagens, eventos sociais e compromissos profissionais.
Vestidos em linho, conjuntos coordenados, calças amplas, camisas de seda, sandálias confortáveis e bolsas funcionais aparecem como protagonistas.
Para quem vive na Flórida, essas coleções oferecem uma inspiração especialmente relevante, já que dialogam diretamente com temperaturas elevadas, ambientes descontraídos e uma rotina que pede elegância sem excessos.
A força dos acessórios
Se as roupas caminham para uma estética mais limpa, os acessórios ganham ainda mais importância.
As bolsas estruturadas continuam entre os principais investimentos, enquanto cintos finos, lenços de seda, óculos de design marcante e joias delicadas ajudam a atualizar produções sem necessidade de trocar todo o guarda-roupa.
Também cresce a preferência por calçados confortáveis, como sapatilhas sofisticadas, sandálias de tiras finas e mocassins modernos.
Moda que atravessa temporadas
Talvez a principal mensagem deixada pelas passarelas internacionais seja que o consumo impulsivo perde espaço para escolhas conscientes.
Em vez de seguir tendências efêmeras, grandes marcas apostam em roupas capazes de permanecer relevantes por muitos anos. A qualidade da modelagem, a excelência dos tecidos e a versatilidade das peças tornam-se mais importantes do que acompanhar cada novidade lançada.
Mais do que indicar o que estará nas vitrines, Paris, Taormina e a Riviera Francesa apontam uma mudança de comportamento. A moda volta a valorizar a identidade individual, o artesanato, a sustentabilidade e a elegância construída ao longo do tempo.
Para a mulher contemporânea, isso representa liberdade para investir menos em quantidade e mais em qualidade. Afinal, o verdadeiro luxo não está em seguir todas as tendências, mas em construir um estilo próprio, capaz de atravessar estações, viagens e fases da vida sem perder sua essência. E a nossa escolha faz toda a diferença.







